Informação: não me abandone jamais

Vivemos de informação. Não importa aonde ela esteja, ela te encontra e ao te encontrar algo novo ela pode te trazer.

Estava a navegar na Internet há algumas horas atrás, quando me lembrei que havia deixado uma janela aberta com um vídeo onde uma garota portuguesa falava em seu canal de Booktube.

Não sabe o que é um Booktube? Pois é. Eu só soube há algumas semanas o que era: trata-se de um canal onde uma pessoa, normalmente jovens,  posta vídeos sobre livros no Youtube, e nesse canal, além de postar resenhas de livros, acaba falando também dos melhores livros que leu no ano e até mostra, livro-a-livro, sua estante de livros! [Pura loucura, admito, mas muito divertido e interativo. Acredito que as bibliotecas públicas e escolares deveriam atentar para esse formato de divulgação de suas coleções. Alguém da equipe, poderia pegar as últimas aquisições e produzir um vídeo falando delas ou mesmo disponibilizar câmeras ou um canal no Youtube para os usuários publicarem suas resenhas ou indicações. Fica a dica.]

E voltando à minha história, logo depois de ver o vídeo Os (meus) melhores de 2013 do Inês Book, canal de uma simpática portuguesa que elegeu como um dos melhores livros do ano a obra “Jesus Cristo Bebia Cerveja“.

Ines

Depois, vi outros Booktubes e comecei a navegar até chegar ao canal  “Lendo & Comentando – Amanda“, onde uma leitora brasileira, além das resenhas, apresentava um tal de Bookshelf tour (um passeio por suas estantes de livros!) de apenas 36 minutos de duração!

Como bom nerd velho, vi todo o vídeo, passei a conhecer novos autores e títulos que a galera anda lendo e depois de tanta informação só me lembrei de um livro: “Não me abandone jamais”, do escritor britânico-japonês Kazuo Ishiguro, cuja história conta a trajetória de três crianças até a sua juventude, período em que se tornam automaticamente doadores de órgãos, pois são clones, e tem como futuro certo a morte. Claro que a morte deles traz como benefício a possibilidade de pessoas doentes viverem mais. Ou seja, pura ficção científica!

Nao-me-abandone-jamais all pop stuff

 

Como não me lembrava do livro, fui ao Google e vi que realmente não o conhecia, apesar de já conhecer o trabalho do autor através de uma adaptação para o cinema do livro “Os vestígios do dia”, que resultou em um ótimo filme com o Anthony Hopkins e a Emma Thompson como protagonistas. Foi ali também que vi que o livro citado pela Amanda também havia sido adaptado para o cinema e optei por ver o filme primeiro. Coloquei o Torrent em ação e vi o filme.

E assim, depois de ser levado de um lugar a outro pela curiosidade e por informações contidas nesses benditos Booktubes e a escolher aleatoriamente um filme mais uma informação surgiu, mas desta vez ela surgiu de minhas próprias leituras: lembrei-me de um conto de um autor brasileiro cujo tema também fala de doação involuntária de órgãos. O nome do conto é “O índio no abismo sou eu”, de autoria do Luís Brás e foi publicado na coletânea de autores “odiados” pela crítica chamada “Geração SubZero” (Record, 2012). Neste conto, um sujeito acorda em um hospital e percebe que despertou no futuro, e apesar disso, logo terá seus órgãos retirados. Quem pagou espera pela doação, mas há uma multidão revoltada em volta do hospital que também quer parte do corpo dele…..

Clique para ampliar

 

Enfim, o livro do Kazuo (ou o filme, que tem belíssima trilha sonora e atuações sensíveis e emotivas – não vá chorar!) e o conto do Luís  possuem tom bastante melancólico, são belas obras e fazem pensar, por isso, são imperdíveis (em tempo, eu não curti a maioria dos textos do Geração Subzero, desculpa aí!).

 

Segue dois trechos das obras citadas:

Somos todos mortais. Talvez nenhum de nós realmente entenda o que passamos ou sinta que tivemos tempo suficiente.

O futuro jamais é para todos. O futuro é apenas para quem pode pagar.